Fim da jornada 6×1: supermercados começam a adotar escala 5×2 para segurar funcionários e enfrentar escassez de mão de obra
Essa é uma tendência muito forte que começou a ganhar corpo agora em janeiro de 2026. Embora o debate sobre o fim da escala 6×1 no Congresso ainda esteja em andamento, grandes redes de supermercados já estão se antecipando e adotando a escala 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de folga) como uma estratégia de sobrevivência no mercado.
Aqui está o que está acontecendo na prática:
1. Quem já está adotando?
Redes no interior de São Paulo e no Rio Grande do Sul saíram na frente.
* Grupo Savegnago: Iniciou um projeto-piloto em unidades de Indaiatuba e está expandindo para a região de Campinas. A rede (que inclui o Paulistão Atacadista) está usando o modelo 5×2 para atrair candidatos em uma região de alta competição por mão de obra.
* Varejo Gaúcho: Redes como a Comercial Zaffari (de Passo Fundo) também implementaram o 5×2. No Rio Grande do Sul, a rotatividade (turnover) no setor supermercadista chegou a superar os 60%, forçando as empresas a oferecerem a "folga dupla" como diferencial.
* Espírito Santo: Em uma medida ainda mais radical, supermercados e atacarejos do estado fecharão as portas todos os domingos a partir de março de 2026, visando garantir o descanso dos funcionários e reduzir custos operacionais.
2. Como funciona o horário na escala 5×2?
Como a lei brasileira atual ainda prevê uma carga horária de 44 horas semanais, os supermercados que adotam o 5×2 costumam redistribuir as horas:
* Jornada diária: Em vez de 7h20 por dia (no modelo 6×1), os funcionários passam a trabalhar cerca de 8h48 por dia.
* Compensação: Trabalha-se um pouco mais durante os 5 dias para garantir os 2 dias inteiros de descanso.
3. Por que os supermercados mudaram de ideia?
Historicamente, o setor sempre defendeu a escala 6×1, mas três fatores mudaram o cenário em 2025/2026:
* Escassez de Mão de Obra: Existem milhares de vagas abertas no país que não são preenchidas porque os trabalhadores (especialmente os mais jovens) recusam rotinas que sacrificam o convívio familiar aos fins de semana.
* Concorrência com Aplicativos: Muitos trabalhadores preferem a liberdade de aplicativos de entrega ou transporte do que a escala rígida do varejo.
* Produtividade e Saúde Mental: As empresas perceberam que o funcionário na escala 6×1 fica mais exausto, falta mais por motivos de saúde e produz menos do que aquele que tem dois dias de descanso.
> O que diz o Governo: O Ministério do Trabalho já sinalizou que a tendência para 2026 é a convergência para uma jornada de 40 horas semanais e o fim gradual da escala 6×1 em todo o país.
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Você gostaria que eu verificasse se alguma rede específica da sua região já anunciou a mudança para a escala 5×2?

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